Livro Lucas (William Barclay) 182 O mordomo sabia que tinha perdido seu posto. Portanto, teve uma idéia brilhante. Falsificou os registros nos livros, de modo que os devedores devessem muito menos do que em realidade deviam. Isto teria dois efeitos. Primeiro, os devedores lhe estariam agradecidos, e segundo, e muito mais efetivo, ele os envolveu em suas próprias maldades, e, se acontecia o pior, estava em boa posição para exercer uma chantagem. O próprio amo era um tanto canalha, porque, em vez de assombrar-se com o procedimento, apreciou o engenhoso proceder e elogiou o mordomo pelo que tinha feito. A dificuldade em interpretar a parábola procede do fato de que Lucas atribui a ele não menos de quatro lições morais. (1) No versículo 8 a moral é que os filhos deste mundo são mais sábios em sua geração que os filhos da luz. Isto quer dizer que, se os cristãos fossem tão ansiosos e engenhosos em seus intentos de obter o bem como o é o homem deste mundo em seu desejo de obter dinheiro e comodidade, seriam muito melhores. Se os homens dessem tanta importância às coisas que têm que ver com suas almas como dão ao que concerne a seus negócios, seriam melhores. É muito certo que há os que vez por outra dedicam vinte vezes mais tempo e dinheiro a obter seu prazer, praticar esportes, ou cuidar seu jardim que o que dedicam à igreja. Nosso cristianismo só começará a ser real e efetivo quando lhe dedicarmos tanto tempo e esforço como a nossas atividades mundanas. (2) No versículo 9 é ensinado que as posses materiais deveriam ser utilizadas para estreitar as amizades nas quais descansa o valor permanente e real da vida. Isto se poderia fazer de duas maneiras. (a) No que se relaciona com a eternidade. Os rabinos tinham um dito: "O rico ajuda ao pobre neste mundo, mas o pobre ajuda o rico no mundo vindouro." Ambrósio, comentando sobre o rico insensato que edificou celeiros maiores para guardar os seus bens, disse: "O peito dos pobres, as casas das viúvas, as bocas dos meninos são os celeiros que duram para sempre." Em todo caso, era uma crença judaica que a caridade para com os pobres seria o crédito de um homem no mundo por vir. A verdadeira riqueza de um homem não estava no que guardava e sim no que dava. Estudando a Bíblia livro por livro.
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