LIVRO
João (William Barclay) 148 Ao ler o quarto Evangelho se apresenta uma
dificuldade. É a dificuldade de discernir quando terminam as palavras de Jesus
e quando começam as do autor. João pensou nas palavras de Jesus durante tanto
tempo que, em forma insensível, passa delas a seus próprios pensamentos sobre
essas palavras. É quase certo que as últimas palavras desta passagem pertencem
a João. É como se alguém perguntasse: "Tudo isto que Jesus está dizendo
pode ser certo ou não; mas que direito tem de dizê-lo? Que garantia temos de
que seja certo?" A resposta de João é simples e profunda.
"Jesus", diz, "baixou do céu para nos dizer a verdade de Deus.
E, quando viveu com os homens e morreu por eles, voltou para sua glória".
João sustentava que o direito que Jesus tinha de falar provinha do fato de que
conhecia pessoalmente a Deus, que Jesus tinha vindo diretamente do oculto do
céu à Terra, que o que dizia aos homens era literalmente a verdade divina. O
direito de Jesus de falar vem diretamente do que Jesus foi e é: a mente de Deus
encarnada. O
CRISTO LEVANTADO
João
3:14-15
Aqui João se remonta a uma curiosa história do Antigo Testamento que relatada
em Números 21:4-9. Durante sua viagem através do deserto, o povo de Israel
murmurava e se queixava de ter saído do Egito. Para castigá-los, Deus lhes
mandou uma praga de serpentes ardentes e letais. O povo se arrependeu e clamou
por misericórdia, e Deus ordenou ao Moisés que fizesse uma serpente de bronze e
a pusesse no meio do lugar onde estavam, sobre um haste; qualquer que olhasse à
serpente se salvaria e viveria. Esse relato impressionava muito aos israelitas.
Contavam como, em tempos posteriores, essa serpente de bronze se converteu numa
imagem e num ídolo, e como nos tempos de Ezequias precisou ser destruída porque
o povo a adorada (2 Reis 18:4). Os judeus sempre se sentiram um pouco
intrigados e perplexos com este incidente, visto que eles tinham absolutamente
proibido fazer imagens. Os rabinos lhe davam a seguinte explicação: "Não
era a serpente que matava e dava vida. Israel olhava, e enquanto Moisés
mantinha a serpente no alto, criam naquele que lhe tinha ordenado agir dessa
maneira. Era Deus quem os curava." O poder curador não estava na serpente
de bronze. Esta não era mais do que um símbolo e um indicador que os fazia
voltar a dirigir seu pensamento para Deus; e quando voltavam seus pensamentos
para Deus, ficavam curados. ESTUDANDO A BIBLIA LIVRO POR LIVRO.
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