LIVRO
João (William Barclay) 163 Há poucos relatos do Evangelho que mostrem tanto
sobre a personalidade de Jesus como este. (1) Mostra-nos o caráter real de sua
humanidade. Jesus se sentia cansado pelo caminho, e se sentou junto ao poço,
esgotado. É muito significativo que João, que sublinha a absoluta deidade do
Jesus Cristo mais que qualquer dos outros evangelistas, também sublinhe a fundo
sua humanidade. João não nos apresenta um personagem livre do cansaço e
esgotamento, o esforço e a luta próprios de nosso caráter humano. Mostra a
alguém para quem a vida era um esforço, tal como o é para nós; mostra a alguém
que também se sentia cansado e que também devia prosseguir. (2) Mostra-nos a
calidez de sua compaixão. A mulher samaritana teria fugido envergonhada de um
líder religioso qualquer, de um dos líderes eclesiásticos ortodoxos da época.
Ela o teria evitado. Se por uma casualidade muito pouco provável um deles lhe
tivesse dirigido a palavra, ela o teria enfrentado com um silêncio envergonhado
e até hostil. Mas para Jesus foi a coisa mais natural do mundo falar com esta
mulher. Por fim tinha encontrado alguém que não era um juiz, mas um amigo,
alguém que não condenava, mas sim compreendia. (3) Mostra a Jesus como alguém
que rompe barreiras. A luta entre judeus e samaritanos era uma história muito,
muito velha. Em 722 A. C. os assírios tinham invadido, capturado e subjugado o
reino de Samaria, no Norte. Fizeram o que costumavam fazer os conquistadores
naquela época: transladaram quase toda a população a Média (2 Reis 17:6). E
trouxeram para esse lugar gente de Babilônia, de Cuta, da Ava, de Hamate e de
Sefarvaim (2 Reis 17:24). Agora, é impossível transladar a todo um povo. Alguns
dos habitantes do reino do Norte ficaram nesse mesmo lugar. Como é inevitável,
começaram a casar-se com os estrangeiros; e nessa forma cometeram um pecado que
é imperdoável para qualquer judeu. Perderam sua pureza racial. ESTUDANDO A
BIBLIA LIVRO POR LIVRO.
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