
LIVRO
João (William Barclay) 166 Para um judeu este relato era surpreendente. Aqui
estava o Filho de Deus cansado, esgotado e sedento. Aqui estava o mais santo
dos homens ouvindo compreensivamente uma triste historia. Aqui estava Jesus
rompendo as barreiras do nacionalismo e do costume judaico ortodoxo. Aqui está
o começo da universalidade do evangelho; aqui está Deus amando o mundo de tal
maneira, não em teoria, mas em ação. A ÁGUA VIVA João
4:10-15
Devemos notar que esta conversação com a mulher samaritana segue exatamente o
mesmo esquema que a conversação com Nicodemos. Jesus faz uma afirmação. A
afirmação não se entende e pe tomada em um sentido incorreto. Jesus repete a
afirmação de maneira ainda mais clara. Volta a ser mal compreendida; e então
Jesus obriga a pessoa com quem está falando a descobrir e enfrentar a verdade
por si mesma. Essa era a forma como Jesus costumava ensinar; e era uma forma
muito efetiva, porque, como disse alguém: "Há certas verdades que o homem
não pode aceitar;
deve
descobri-las
por
si mesmo". Tal como fez Nicodemos, a mulher tomou as palavras de Jesus em
seu sentido literal, quando devia compreendê-las no plano espiritual. Jesus
falou de água viva.
Agora,
na linguagem comum, para o judeu água viva significava
água corrente. Tratava-se da água que fluía em um arroio, por oposição à água
estancada em uma cisterna ou em um pântano. Como já vimos, este poço
não
era um lugar onde houvesse águas vivas, mas sim a água se filtrava de uma capa
subterrânea. Para o judeu, a água viva, corrente, de um
arroio sempre era a melhor. De maneira que o que a mulher disse foi:
"Oferece-me água pura de um arroio. De onde a tirará?" e passou a
falar de "nosso pai Jacó". ESTUDANDO A BIBLIA LIVRO POR LIVRO.