LIVRO
João (William Barclay) 142 Agora apliquemos esse princípio a estas duas
petições do Pai Nosso; a segunda petição amplia, explica, desenvolve a
primeira; logo chegamos à definição: O Reino de Deus é uma sociedade
onde a vontade de Deus se cumpre com tanta perfeição na terra como o é no céu. Portanto,
estar no Reino dos céus significa levar uma vida em que submetemos tudo,
completa e voluntariamente, à vontade de Deus. Significa ter chegado a um ponto
em que aceitamos a vontade de Deus total, completa e perfeitamente. Agora vamos
à ideia de ser filhos
de Deus. Em
um sentido, ser filhos de Deus é um enorme privilégio. Àqueles
que crêem lhes dá o poder de se tornarem filhos (João 1:12). Mas a essência do
fato de ser filhos é necessariamente a obediência. “Aquele
que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o
que me ama” (João 14:21). A essência do ser filhos de Deus é o amor; e a
essência do amor é a obediência. Não podemos dizer com sinceridade que amamos a
alguém, e logo fazer coisas que ferem e machucam o coração dessa pessoa. O ser
filhos de Deus é um privilégio, mas um privilégio ao que se tem acesso só
quando se oferece uma obediência total. Assim chegamos a compreender que o ser
filhos de Deus e estar no Reino são uma e a mesma coisa. O filho de Deus e o
habitante do Reino são pessoas que aceitaram a vontade de Deus de maneira
total, completa, voluntária e definitiva. Vejamos agora a ideia da vida
eterna. A
ideia central que está por trás da vida eterna não é a de duração. É muito
evidente que uma vida que durasse para sempre poderia ser tanto um céu como um
inferno. A ideia que está por trás da vida eterna é a de uma certa qualidade,
um
tipo determinado de vida. Que tipo de vida? Só há uma pessoa a quem se pode
descrever com justiça com o adjetivo eterno (aionios) e essa
única pessoa é Deus. A vida eterna é o tipo de vida que Deus vive; é a vida de
Deus. Penetrar na vida eterna significa entrar em posse desse tipo de vida que
é a vida de Deus. Significa elevar-se por cima das coisas meramente humanas,
temporários, passageiras, fugazes, para essa alegria e essa paz que pertencem
unicamente a Deus. E é evidente que um homem só pode alcançar esta comunhão e
relação íntima com Deus quando lhe entrega esse amor, essa reverência, essa
devoção, essa obediência que o põem verdadeiramente em comunhão com Deus. ESTUDANDO
A BIBLIA LIVRO POR LIVRO.
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