LIVRO
João (William Barclay) 141 Muitas das iniciações dos mistérios se celebravam à
meia-noite quando o dia morre e volta a nascer. Na Frígia, depois da iniciação,
alimentava-se o iniciado com leite como se fosse um menino recém-nascido. O
mundo antigo conhecia muito bem o renascimento e a regeneração. Desejava-o e o
buscava em todas as partes. A mais famosa das cerimônias dos mistérios era o taurabolium.
O
candidato ficava em um poço. Sobre a boca do poço ficava uma tampa gradeada.
Sobre esta tampa se matava um touro, degolando-o. O sangue caía e o iniciado
levantava a cabeça e se banhava no sangue: lavava-se em sangue; e quando saía
do poço era um renatus
ad aeternum,
renascido para toda a eternidade. Quando o cristianismo veio ao mundo com uma
mensagem de renascimento, trazia justamente o que todo mundo estava procurando.
O que significa, então, este renascimento para nós? No Novo Testamento, e em
especial no quarto Evangelho, há quatro ideias muito relacionadas entre si.
Existe a ideia do renascimento; existe a ideia do Reino de Deus, ao qual o
homem não pode entrar a menos que tenha renascido; existe a ideia de ser filhos
de Deus: e existe a ideia da vida eterna. Esta ideia de renascer não é
privativa do pensamento do quarto Evangelho. Em Mateus temos a mesma verdade
fundamental expressa em forma mais simples e vivida: “Se não vos converterdes e
não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”(Mateus
18:3). Estas três ideias estão sustentadas por um pensamento comum. NASCIDO DE
NOVO
João
3:1-6 (continuação)
Comecemos com a ideia do Reino de Deus. O que significa o Reino de Deus? A
melhor definição nós a encontramos no Pai Nosso. Há duas petições, uma junto à
outra: Venha o teu
reino;
Faça-se a tua vontade, assim na
terra como no céu.
Agora, é próprio do estilo judeu repetir as coisas duas vezes, e a segunda
forma de dizer uma coisa explica, amplia, repete de maneira distinta o que foi
dito primeiro. Qualquer versículo dos Salmos nos mostra este costume judaico
que se conhece com o nome técnico de paralelismo: O SENHOR dos exércitos está
conosco;
o Deus de Jacó é o nosso refúgio
(Salmo 46:7).
Porque eu conheço minhas
transgressões,
E o meu pecado está sempre
diante de mim (Salmo 51:3). Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de
descanso (Salmo 23:2).ESTUDANDO A BIBLIA LIVRO POR LIVRO.
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