LIVRO
João (William Barclay) 154 Suponhamos que amamos a música séria; suponhamos que
nos aproximamos mais a Deus no trovejar de uma grande sinfonia que em qualquer
outra circunstância. Suponhamos que temos um amigo que não sabe nada a respeito
dessa música. Suponhamos que queremos introduzir este amigo nessa experiência
fundamental; queremos compartilhá-la com ele; queremos oferecer-lhe este
contato com a beleza invisível que nós experimentamos. Nosso único fim é dar a
esse amigo a felicidade de uma experiência nova. Levamo-lo a um concerto onde
se executa uma sinfonia; e em pouco tempo começa a mover-se e a olhar a seu
redor, dando sinais de uma absoluta falta de interesse e, além disso, de
aborrecimento. Esse amigo emitiu um juízo sobre si mesmo; não tem nenhuma
musicalidade na alma. A experiência que estava destinada a produzir-lhe uma
felicidade nova se converteu em um juízo. Isto sempre acontece quando pomos um
homem diante da grandeza. Podemos levar alguém a ver uma obra de arte; podemos
levá-lo a ouvir um príncipe dos pregadores; podemos dar-lhe um livro que é um
alimento espiritual; podemos levá-lo a contemplar alguma beleza. Sua reação é
um juízo. Se não vê nenhuma beleza e não experimenta nenhuma emoção, sabemos
que tem um ponto cego em sua alma. Conta-se que um empregado estava mostrando
uma galeria de arte a um visitante. Nessa galeria havia algumas obras de arte
que estavam além de qualquer preço, obras de beleza eterna e de gênio
indisputável. No fim da visita, o visitante disse: "Bom, suas velhas
pinturas não merecem que eu dê uma opinião muito alta". O empregado
respondeu com calma: "Senhor, queria lembrar-lhe que estes quadros já não
estão em tela de juízo, mas sim o estão os que os olham". Tudo o que tinha
feito a reação do homem era demonstrar sua própria lamentável cegueira. ESTUDANDO
A BIBLIA LIVRO POR LIVRO.
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