LIVRO
João (William Barclay) 168 Isso era exatamente no que estava pensando a mulher
quando disse a Jesus que não tinha com o que tirar a água das profundidades do
poço. Mas os judeus empregavam a palavra água em outro
sentido. Estavam acostumados a falar da sede de Deus que
a alma sentia; e muito frequentemente falavam de acalmar essa sede com água
viva. Jesus
não estava usando expressões incompreensíveis. Estava empregando palavras que
qualquer que tivesse percepção espiritual deveria ter compreendido. No
Apocalipse a promessa é: “Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água
da vida” (Apocalipse. 21:6). O Cordeiro os conduzirá a fontes de água da vida
(Apocalipse. 7:17). A promessa era que o povo escolhido tiraria com alegria
águas das fontes da salvação (Isaías 12:3). O salmista falava de sua alma
sedenta do Deus vivo (Salmo 42:1). A promessa de Deus era: “Porque derramarei
água sobre o sedento” (Isaías 44:3). O chamado dizia que todo aquele que
estivesse sedento devia ir às águas e beber gratuitamente (Isaías 55:1).
Jeremias se queixava de que o povo tinha abandonado a Deus, fonte de água viva,
e havia cavado para si cisternas rotas que não podiam conter a água (Jeremias.
2:13). Ezequiel teve sua visão do rio da vida (Ezequiel. 47:1-12). No novo
mundo haveria um manancial aberto para a purificação (Zacarias. 13:1). As águas
sairiam de Jerusalém (Zacarias. 14:8). Às vezes os rabinos identificavam esta
água viva com a sabedoria da Lei; outras vezes a identificavam nada menos que
com o Espírito Santo de Deus. Toda a linguagem pictórica religiosa dos judeus
estava cheio desta ideia da sede da alma que só podia satisfazer-se com a água
viva que era o dom de Deus. Mas a mulher preferiu entender estas palavras na
mais crua forma literal. Era cega porque não queria ver. Mas Jesus passou a
fazer uma afirmação ainda mais surpreendente. Disse que ele podia lhe dar água
viva que lhe tiraria a sede para sempre. Mais uma vez mais a mulher tomou ao pé
da letra; mas de fato era nada menos que uma afirmação messiânica. Na visão
profética da época por vir, da idade de Deus, prometia-se: "Não terão fome
nem sede" (Isaías 49:10). Deus e ninguém mais, possuía a fonte viva da
água que saciava toda sede. "Contigo está o manancial da vida", tinha
exclamado o salmista (Salmos 36:9). O rio da vida sairá do mesmo trono de Deus
(Apocalipse 22:1). O Senhor é a bebedouro viva (Jeremias 17:13). Na época
messiânica o lugar seco se converterá em lago e o deserto em mananciais de água
(Isaías 35:7). Quando Jesus dizia que trazia para os homens a água que apaga
para sempre toda sede, não fazia mais que afirmar que era o Ungido de Deus que
teria que introduzir a nova era. Estudando a Bíblia livro por livro.
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