LIVRO
João (William Barclay) 177 A esta altura, a mulher já estava a caminho da
aldeia sem seu cântaro. O fato de deixar o cântaro demonstra duas coisas.
Demonstra que tinha pressa em compartilhar essa experiência extraordinária e
que não sonhava em fazer outra coisa senão retornar ao mesmo lugar. Toda a
atitude desta mulher samaritana nos diz muito a respeito da experiência cristã
autêntica. (1) Sua experiência começou ao ver-se obrigada a confrontar-se
consigo mesma e ver-se tal qual era. O mesmo aconteceu com Pedro. Depois da
pesca milagrosa, quando Pedro descobriu algo da majestade de Jesus, tudo o que
pôde dizer foi: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lucas 5:8).
Mais de uma vez nossa experiência cristã começará com uma desagradável sensação
de desgosto conosco mesmos. Em geral, a última coisa que vê o homem é a si
mesmo. E em geral acontece que o primeiro que Cristo faz para ajudar a um homem
é obrigá-lo a fazer o que esse mesmo homem se negou a fazer durante toda sua
vida: ver-se a si mesmo. (2) A mulher samaritana se sentiu esmagada pela
capacidade de Cristo para ver em seu coração. Estava assombrada por seu Intimo
conhecimento do coração humano, e de seu coração em particular. Ao salmista o
espantava o mesmo pensamento: “De longe entendes o meu pensamento... Sem que
haja uma palavra na minha língua, eis que, ó SENHOR, tudo conheces” (Salmo
139:1-4). Conta-se que uma vez uma garotinha escutou um sermão de C. H.
Spurgeon e ao finalizar, sussurrou a sua mãe: "Mamãe, como sabe ele o que
acontece em casa?" Não há nenhum disfarce nem cortina que seja
impenetrável ao olhar de Cristo. Ele tem o poder de ver as profundezas do
coração humano. Não se trata de que só veja o que tem de mal nesse coração;
também vê o herói dormido na alma de cada um dos homens. É como o cirurgião que
vê o mal e o doente, mas que também vê a saúde que seguirá quando se tirar a
parte má. ESTUDANDO A BIBLIA LIVRO POR LIVRO.
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