LIVRO
João (William Barclay) 169 Mais uma vez a mulher não o viu. E, segundo minha
opinião, esta vez falou em brincadeira, como seguindo a onda com alguém que
estava um tanto louco. "Dê-me dessa água", disse, "assim não
voltarei a ter sede e não precisarei caminhar até o poço todos os dias".
Estava zombando com um tipo de sarcástico menosprezo das coisas eternas. No
coração de tudo isto se encontra a verdade fundamental de que no coração humano
há uma sede de algo que só Jesus Cristo pode satisfazer. Em um de seus livros,
Sinclair Lewis apresenta um respeitável pequeno comerciante que se anima a
expressar esta grande verdade. Está falando com a moça que ama. Ele diz:
"Por fora todos parecemos muito diferentes; mas muito no fundo somos todos
iguais. Os dois nos sentimos muito infelizes por algo, e não sabemos o que
é." Em todo homem existe esse desejo insatisfeito e sem nome; esse vazio
descontente; essa carência; essa frustração; esse desejo que às vezes faz com
que alguém encolha os ombros, sem saber por que. Em Sorrel
and Son (Sorrel
e filho), Warwick Deeping apresenta um diálogo entre Sorrel e seu filho. O moço
está falando sobre a vida. Diz que é como caminhar tateando em uma névoa
encantada. A névoa se abre por um momento; a gente vê a Lua ou o rosto de uma
garota; a gente pensa que quer a Lua ou o rosto; e depois a névoa volta a
baixar, e o deixa a alguém procurando algo que não sabe muito bem o que é. Agostinho
fala de "nossos corações que estão inquietos até que descansam em
ti". Um elemento da situação humana é o fato que não podemos encontrar a
felicidade nas coisas que essa situação humana nos oferece. Jamais estamos a
salvo do desejo de eternidade que Deus pôs na alma do homem. Existe uma sede
que só podem aplacar as águas da eternidade, e que só Jesus Cristo pode
satisfazer. ESTUDANDO A BIBLIA LIVRO POR LIVRO.
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