LIVRO
João (William Barclay) 155 O mesmo ocorre com Jesus. Se, quando um homem se
depara com Jesus, sua alma se eleva como em um torvelinho a essa maravilha e
beleza, está no caminho da salvação. Mas se ao defrontar-se com Jesus não vê
nada belo, está condenado. Sua reação o condenou. Deus enviou a Jesus com amor.
Enviou-o para a salvação desse homem. Mas não é Deus quem condenou a esse
homem; ele se condenou a si mesmo. O homem que reage frente Jesus de maneira
hostil, preferiu as trevas à luz. O que resulta terrível em uma pessoa
realmente boa é que sempre tem em seu interior algum elemento inconsciente de
condenação. Quando nos defrontamos com Jesus nos vemos tal qual somos. Alcibíades,
o gênio malcriado de Atenas, era companheiro do Sócrates, mas de vez em quando
costumava reprová-lo: "Sócrates, eu o odeio, porque cada vez que o
encontro, faz-me ver o que sou". O homem que embarcou em uma tarefa má não
quer que se derrame luz sobre essa tarefa nem sobre si mesmo. Mas o homem que
está comprometido em algo honorável não se preocupa nem teme a luz. Conta-se
que uma vez um arquiteto se aproximou de Platão e se ofereceu para construir
uma casa, por uma determinada soma de dinheiro, e em nenhuma das habitações
seria possível ver. Platão lhe disse: "Eu lhe darei o dobro de dinheiro
para que construa uma casa em cujas habitações todos possam ver". Só quem
age mal não quer ver-se a si mesmo, nem quer que nenhum outro o veja. Esse tipo
de homem odiará inevitavelmente a Jesus Cristo, porque Cristo lhe mostrará o
que é, e isso é a última coisa que quer ver. O que ama é a escuridão que
oculta, não a luz que revela. Através de sua reação frente Cristo, o homem se
revela. Sua reação ante o Jesus Cristo deixa sua alma ao descoberto. Olhe a
Cristo com amor, até com ansiedade, há esperanças, mas se não ver nada formoso
em Cristo, condenou-se a si mesmo. Aquele que foi enviado em amor se converteu
para ele em juízo. UM HOMEM SEM INVEJA João
3:22-30
Já vimos que parte do propósito do autor do quarto Evangelho era assegurar-se
de que João Batista recebesse o seu lugar exato como precursor de Jesus, mas
não um lugar que fosse além disso. Havia ainda aqueles que estavam dispostos a
chamar João de mestre e senhor; o autor do quarto Evangelho quer mostrar que
João ocupava um lugar elevado, mas que o lugar superior estava reservado só
para Jesus. E também quer mostrar que o próprio João jamais alimentou nenhuma
outra idéia senão a de que Jesus ocupava o lugar supremo. É por isso que o
autor do quarto Evangelho nos mostra a superposição do ministério de João e o
de Jesus. Os Evangelhos sinóticos são diferentes: Marcos 1:14 nos diz que depois
que João
foi encarcerado, Jesus começou o seu ministério. Não há necessidade de discutir
qual dos relatos está coreto do ponto de vista histórico. O mais provável é que
o quarto Evangelho faça sobrepor os dois ministérios para mostrar com toda
clareza, mediante o contraste, a supremacia de Jesus. ESTUDANDO A BIBLIA LIVRO
POR LIVRO.
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