LIVRO
João (William Barclay) 170 CONFRONTANDO A VERDADE João
4:15-21
Vimos
como a mulher, com certa frivolidade e como, em brincadeira, pediu a Jesus que
lhe desse a água viva para que não voltasse a ter sede e para ver-se livre de
ter que fazer a cansativa caminhada até o poço. E depois, de repente, e com
toda crueldade, Jesus a fez voltar à realidade. Tinha passado o momento de
brincar com as palavras, o momento das brincadeiras. "Vê", disse
Jesus, "procure o seu marido e volte com ele." A mulher ficou
paralisado como se tivesse experimentado uma dor repentina; crispou-se como se
tivesse recebido um golpe, ficou tão pálida como alguém que vê uma visão; e
isso era o que lhe havia acontecido, porque de repente
se viu si mesma. Nesse
momento se viu obrigada a enfrentar-se a si mesmo e à ligeireza e imoralidade e
a absoluta falta de dignidade de sua vida. No
cristianismo há duas revelações: a revelação de Deus e a revelação de nós
mesmos. Ninguém se vê realmente a si mesmo até que não vá por si mesmo à
presença de Cristo; e então o que vê o deixa aturdido. Para expressá-lo de
outro modo: o cristianismo começa com um sentido de pecado. Começa com uma
repentina tomada de consciência de que a vida, tal como a estamos vivendo, não
nos leva a lugar nenhum. Despertamos a nós mesmos e despertamos a nossa
necessidade de Deus.
Alguns
têm sustentado, devido a esta menção dos cinco maridos, que este relato não
ocorreu em realidade mas se trata de uma alegoria. Vimos que quando os
habitantes primitivos de Samaria foram exilados e transportados a Média, vieram
outros cinco povos a esse lugar. Nesse relato lemos que cada um destes povos
trouxe consigo seus próprios deuses (2 Reis 17:29); e se tem sustentado que a
mulher representa Samaria; os cinco maridos representam aos cinco falsos deuses
com aqueles que por assim dizer, casaram-se os samaritanos. O sexto marido
representaria o Deus verdadeiro; mas, como disse Jesus, adoram-no, não na
verdade, mas em ignorância; e portanto não estão casados com Ele. Pode ser que
neste relato, haja uma referência à infidelidade dos samaritanos para com Deus;
mas a história é muito vívida para que se trate de uma alegoria elaborada. É
muito parecida à vida real. ESTUDANDO A BIBLIA LIVRO POR LIVRO.